Boletim Informativo nr. 110 Age Agora

Monday, September 21, 2026 by Extinction Rebellion

Um grupo de pessoas segura uma faixa com a imagem de uma árvore e umslogan.

Imagem: XR Indigenous Hewa Bora

Cara rebelde,

Desde 2018, a Extinction Rebellion exige que os governos AJAM JÁ. No mês passado, as Nações Unidas juntaram-se aos nossos apelos para uma acção imediata. A meta de reduzir o aquecimento global em 1,5 graus já foi ultrapassada, mas ainda temos muito que lutar pela nossa sobrevivência. Temos tudo o que precisamos para fazer a transição para um mundo mais justo, sem combustíveis fósseis, só precisamos de agir. Perto de Goma, na República Democrática do Congo, a comunidade indígena pigmeia local fez exatamente isso no mês passado. Primeiro, protestaram contra a desflorestação do Parque Nacional de Virunga e, depois, plantaram árvores. Os rebeldes e as comunidades indígenas na Argentina foram forçados a agir, uma vez que as suas próprias casas estão a ser destruídas, juntamente com vastas áreas do ambiente. Agora é o momento de estares presente, onde, quando e como puderes. Estamos juntos nisto.


Este boletim informativo é oferecido pela XR Global Support, uma rede mundial de rebeldes que ajudam o nosso movimento a crescer e precisam de dinheiro para continuar este trabalho crucial.

AJE AGORA COM UMA DOAÇÃO


Acções em Destaque

Agosto 2026 | XR Misiones, Argentina

Foto de um grande número de pessoas a participar numa marchapolítica. Algumas delas seguram cartazes oufaixas.

Foto: XR Misiones

Rebeldes da XR Misiones, no Nordeste da Argentina, estão a travar uma campanha massiva contra a multinacional florestal Arauco, que possui um longo histórico de destruição ambiental e violações dos direitos humanos. O governo tem facilitado a venda de terras a empresas estrangeiras e reprimido violentamente aqueles que resistem. A Arauco possui agora 230 mil hectares de terra, mas continua a apropriar-se de mais e a visar as comunidades camponesas e indígenas que ali vivem. A Arauco está a deter pessoas, queimando as suas casas, animais e culturas para lhes roubar as terras e plantar monoculturas de pinheiros. Ironicamente, a Arauco está também a expulsar pessoas das suas terras para que a empresa possa reclassificar algumas destas florestas nativas como reservas, que são depois utilizadas como compensação de carbono, "para o ambiente". Segue a XR Misiones no Instagram e vê esta entrevista para mais informações.


Actualização de Acção

Agosto 2026 | XR Indigenous Hewa Bora, RDC

Foto de uma mulher a baixar-se para plantar uma árvore muitojovem..

Foto: XR Hewa Bora

Nos dias 7 e 8 de Agosto de 2026, o grupo indígena Hewa Bora, da Extinction Rebellion (XR), organizou dois dias de acções para chamar a atenção para a situação crítica enfrentada pelo Parque Nacional de Virunga. Hewa Bora é um povoado localizado a 16 quilómetros a oeste de Goma, na República Democrática do Congo. O Parque Nacional de Virunga está ameaçado pela desflorestação desenfreada e pela insegurança crónica provocada pela presença de grupos armados. Assim, no dia 7 de Agosto, dezenas de mulheres indígenas, membros da comunidade pigmeia e outros cidadãos realizaram um protesto pacífico. A identidade, a cultura e os meios de subsistência dos povos indígenas estão intrinsecamente ligados à floresta. No dia seguinte, tomaram medidas colectivas concretas, plantando 500 árvores em redor da aldeia. Siga a XR Indigenous Hewa Bora no Facebook.


Julho 2026 | XR Angers, França

À esquerda, um muro em frente a um edifício. Duas pessoas estão em cimadele, libertando uma fina coluna de fumo cor-de-rosa. Transportam uma grandefaixa branca com o logotipo da XR e um slogan. À direita, várias pessoascaminham por um passeio molhado em frente a vários edifícios altos. Algumaspessoas tapam a boca e o nariz com a roupa.

Foto: XR Angers

A 17 de Julho, os rebeldes da XR em Angers, França interromperam as atividades das gigantes da fast fashion Bershka e H&M espalhando uma substância inofensiva, mas com odor desagradável, no interior das suas lojas. Argumentando que a recente lei francesa contra a fast fashion não era suficiente, criaram a campanha "Ôde aux Rats" (pronunciada como a palavra francesa para "olfato", mas traduzida como "Ode aos Ratos") para minar as estratégias de marketing dos retalhistas e sensibilizar as pessoas. Enquanto o odor fétido fazia com que os clientes fugissem para as saídas, os ativistas organizaram uma festa no exterior com música e cartazes, conversando com as pessoas enquanto saíam. Esta é a segunda "sabotagem olfativa" da XR França, após uma ação semelhante num centro comercial em Grenoble, no ano passado. Siga a XR Angers aqui.


Notícias Positivas

A energia solar impulsionou a rede elétrica Europeia no meio do calor e da seca recordes deste Verão. | Grist

O verão mais quente e seco da Europa impôs uma enorme pressão sobre o seu sistema energético. A energia solar não só resistiu, como gerou mais energia do que o habitual durante as ondas de calor, evidenciando o seu potencial para reforçar a rede elétrica face aos extremos climáticos.


Leitura Obrigatória

O teu carro a gasolina funciona bem. Ainda assim, considera um veículo elétrico, dizem os cientistas. | Grist

Nós, ambientalistas, sabemos como funciona: usa até se estragar. Regra geral, devemos esforçar-nos por prolongar a vida útil dos nossos aparelhos eletrónicos, eletrodomésticos e vestuário até que seja absolutamente necessário substituí-los. O hábito hiper consumista de trocar constantemente bens por versões maiores e melhores enquanto os anteriores ainda funcionam é uma grande ameaça para o nosso planeta.

No entanto, novas pesquisas mostram que, quando se trata de veículos, esta pode não ser a abordagem mais ecologicamente consciente. Este artigo explica que descartar o teu carro a gasolina em perfeitas condições de funcionamento e comprar um veículo elétrico novo é, na verdade, uma escolha melhor para a saúde do planeta. Um proprietário precisa de conduzir um veículo elétrico durante apenas 7081 quilómetros por ano para ter poupado emissões suficientes para compensar as libertadas durante o seu fabrico. É claro que não é realista esperar que todos os proprietários de automóveis chamem o ferro-velho ao mesmo tempo, nem que todos tenham capacidade para financiar um veículo elétrico. Contudo, a investigação indica certamente de forma preocupante o quão prejudiciais os motores a gasolina são para o ambiente. Uma lição fundamental para qualquer condutor é ter consciência da utilização do seu veículo e reduzi-la sempre que possível.

Estudo revela que os potenciais benefícios climáticos da IA são ultrapassados pelo seu papel no aumento da procura de combustíveis fósseis | IA (inteligência artificial) | The Guardian

Um novo estudo mostrou que o pequeno impulso que a IA pode dar à energia renovável é largamente ultrapassado pelo aumento da produção de petróleo e gás possibilitado pela IA. Este artigo observa que a IA já permitiu à indústria dos combustíveis fósseis ter "operações mais eficientes, aumento da produção e prazos de desenvolvimento mais curtos". Isto para além do uso massivo de energia proveniente de combustíveis fósseis para alimentar os próprios centros de dados.


Acção Sugerida para este Mês

Queres fazer a diferença, mas não existe um grupo ativista na tua região que combina contigo, e não sabes por onde começar? Temos algumas sugestões!

A sugestão deste mês é envolveres-te em questões locais, questões muito locais. Participa no Conselho Escolar ou na Câmara Municipal. Sê voluntária num refeitório comunitário. Organiza um grupo para recolher o lixo no parque. Simplesmente escolhe algo, envolve-te e presta atenção. Quaisquer que sejam os problemas que as pessoas da tua região enfrentam, haverá alguma ligação com as alterações climáticas, a justiça ambiental e o processo democrático. Só precisas de estar atenta e encontrar essa ligação, e depois agir de acordo com os teus princípios.

A ligação pode não ser como esperas. Talvez seja necessário suspender julgamentos, cooperar com pessoas de quem discordas e ouvires com atenção, mas a ligação estará lá, na necessidade local. E é por aí que se começa: atendendo à necessidade local e encontrando formas de trabalhar e aprender com as pessoas que encontras no processo.


Vê: Disobey ~ No To Big Tech | Extinction Rebellion UK

Vivemos num mundo onde a tecnologia se tornou praticamente incontornável. Comunicamos através das redes sociais, utilizamos plataformas online para trabalho e estudo e utilizamos serviços digitais para organizar o nosso dia a dia. No entanto, o debate Disobey: No To Big Tech promovido pela Extinction Rebellion UK, com os oradores Matt Tutt e Rania Youssef, desafia-nos a olhar para além da conveniência da tecnologia e a questionar: "quem detém realmente o poder no mundo digital?". O problema não é a tecnologia em si, mas sim a crescente influência das corporações que controlam os nossos espaços digitais, recolhem os nossos dados, moldam o que vemos e transformam a nossa atenção em lucro. Até os custos ambientais da tecnologia são-nos muitas vezes ocultados, desde a energia e a água necessárias para operar centros de dados até à extração de minerais para os nossos dispositivos e ao crescente problema do lixo eletrónico. O mundo digital pode parecer invisível, mas está profundamente ligado ao ambiente físico e aos sistemas que o suportam.

É aqui que a desobediência se torna um ato de recuperação de poder. Desobedecer não se resume a protestar ou a quebrar regras, pode também significar questionar sistemas que nos ensinaram a aceitar como normais ou inevitáveis. As escolhas individuais importam, mas desafiar as grandes empresas tecnológicas exige uma ação coletiva, exigindo responsabilização, protegendo os nossos dados e privacidade, apoiando alternativas e questionando os sistemas económicos que priorizam o lucro em detrimento das pessoas e do planeta. Algumas das questões que devemos colocar são: "Queremos um mundo digital construído em torno da vigilância ou da privacidade? Lucro ou interesse público? Poder corporativo concentrado ou participação democrática? Consumo desenfreado ou responsabilidade ambiental? Por fim, que tipo de mundo digital estamos a criar para os nossos filhos?". A nossa atenção, dados, dinheiro e participação são formas de poder, e devemos ter uma voz na forma como esse poder é utilizado. Talvez a questão não seja simplesmente se podemos dizer "Não" às grandes empresas tecnológicas, mas se estamos dispostos a imaginar e a construir colectivamente um mundo digital ao qual possamos dizer "Sim", um mundo onde a tecnologia serve as pessoas, protege a democracia e respeita o ambiente. Por vezes, para criar algo melhor, precisamos primeiro de desobedecer ao que nos disseram ser inevitável.


Crítica Literária: Flight Behaviour, por Barbara Kingsolver

A capa do livro Flight Behavior.

Flight Behavior é um daqueles raros romances que abordam as alterações climáticas com precisão e profundidade, ao mesmo tempo que contam uma grande história. Não se passa num futuro longínquo, nem é uma metáfora para nada. E embora o incidente que dá início à história (milhões de borboletas-monarca aparecem numa quinta de ovelhas no interior do sul dos Estados Unidos) ainda não tenha acontecido, podia. Coisas destas já aconteceram. É um relato realista sobre como viver com as alterações climáticas hoje.

Mas Barbara Kingsolver não está a usar os seus talentos para fazer um apelo vago para "fazer algo". Em vez disso, ela está a testemunhar a dor, a estranheza e o deslumbramento da nossa época e a chamar a atenção para algumas questões muito específicas da cultura americana, questões que nos impediram de realmente enfrentar o problema. O seu livro não oferece soluções fáceis ou claras, mas sugere um caminho a seguir. Se mais pessoas tivessem seguido este caminho há catorze anos, quando "Flight Behavior" foi publicado pela primeira vez, o mundo poderia ser muito diferente hoje.


Filme a Ver: Purpose: A Wellbeing Economies Film

Purpose é um documentário de 90 minutos sobre duas pessoas que tentam livrar-nos do PIB como principal métrica mundial. É fácil falar de mudança sistémica e de uma transição justa, mas como é que isso realmente acontece? Podemos chegar lá de uma forma que não seja uma revolução violenta? Katherine Trebeck e Lorenzo Fioramonti acreditam que sim, e que o fundamental é fazer com que os economistas e os funcionários do governo superem o seu vício pelo PIB. O filme começa por explicar de forma brilhante como o PIB ascendeu a uma posição de poder tão grande e porque é que não faz absolutamente nenhum sentido agora. A história acompanha depois Trebeck e Fioramonti enquanto tentam lançar a Wellbeing Economy Governments Alliance. O filme é narrado e realizado por Martin Oetting, e a sua explicação inicial sobre a mudança na sua própria carreira pode ser muito inspiradora para muitos. Purpose é um filme contemplativo sobre pessoas que organizam reuniões, participam em reuniões e tentam que essas reuniões se tornem maiores, mas qualquer pessoa que trabalhe na área climática sabe que este é o verdadeiro trabalho. Podem ser organizadas exibições locais, e o filme está também disponível para aluguer online por um valor simbólico no site Films for Action.


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Sobre a Rebellion

Extinction Rebellion é um movimento descentralizado, internacional e politicamente não-partidário que usa a ação direta não-violenta e a desobediência civil para persuadir os governos a agir de forma justa em relação à Emergência Climática e Ecológica. O nosso movimento é feito de pessoas de todos os sectores da sociedade, contribuindo de formas diferentes com o tempo e a energia que podem dedicar. Temos um ramo local muito perto de ti, e adoravamos ter notícias tuas. Participa …or considera fazer uma doação.