Boletim Informativo Nr. 109 Partilha uma história com os teus vizinhos

Monday, July 27, 2026 by Extinction Rebellion

Um tabuleiro de bingo. É uma grelha de quadrados. O quadrado central ébranco e diz "espaço livre".

Imagem: Extinction Rebellion

Cara rebelde,

A Índia e o Paquistão sofrem com períodos de calor extremo há vários anos, mas, para muitos no Hemisfério Norte, este era um problema "local". O último mês trouxe à tona o que os 40°C realmente significam para quem vive na Europa e em muitas partes da América do Norte. De repente, os direitos dos trabalhadores no meio das ondas de calor tornaram-se uma questão urgente. Numa ironia suprema, um evento da Semana do Clima de Londres sobre o calor excessivo teve de ser cancelado por causa de... calor excessivo.

Dar nomes aos episódios de calor extremo pode ser um passo importante para que as pessoas entendam que não são como as antigas ondas de calor do século XX. As nossas temperaturas médias já subiram 1° a 1,5°, pelo que cada onda de calor começa a partir de um ponto mais alto. O que pode uma pessoa fazer? Sempre que alguém mencionar o calor, fala da crise climática provocada pelos combustíveis fósseis, que é a principal responsável por este calor. Pensa em como estás preparada para o calor. Olha à volta do teu bairro. Existem centros de refrigeração? Entra em contacto com a câmara municipal e com as organizações locais para saberes como podem ser criados mais destes centros. A comunidade começa com as pessoas que simplesmente falam umas com as outras. Cumprimenta os teus vizinhos. Partilha uma história. Cuidem uns dos outros.

A equipa da Newsletter aproveitará o mês de Agosto para se renovar e revitalizar. Por isso, desfruta da nossa edição de Julho e voltaremos em Setembro cheios de amor e raiva!


Este boletim informativo é oferecido pela XR Global Support, uma rede mundial de rebeldes que ajudam o nosso movimento a crescer e precisam de dinheiro para continuar este trabalho crucial.

MELHOR PRESENTE DE FÉRIAS: UM PLANETA HABITÁVEL


Acções em Destaque

Junho 2026 | XR UK

Um globo terrestre estilizado em amarelo e vermelho com manchas brancasque podem simbolizar nuvens, chamas gigantes e um termómetro amarelo,laranja e vermelho.

Imagem: XR UK

Está mais Quente que o Inferno – resiliência da comunidade às ondas de calor

A mais recente funcionalidade da página Rebel Toolkit da XR UK é um folheto muito oportuno para imprimir e partilhar, com sugestões para ajudar a tua comunidade a preparar-se e a manter-se segura durante as ondas de calor.

Para casas individuais, existem algumas formas simples e económicas de manter a casa mais fresca em dias quentes. Uma sugestão simples, mas eficaz, consiste em espalhar iogurte natural nos vidros das janelas para que estes reflictam o calor solar. Quem diria?

A página do Kit de Ferramentas Rebelde também oferece outros materiais para download que podem estimular conversas sobre resiliência entre as suas comunidades e vizinhos. Para conheceres formas práticas de te preparares para possíveis perturbações climáticas ou falhas sistémicas, consulta o abrangente XReadiness Guide. Lembra-te: ligações fortes com as pessoas que te rodeiam são uma das formas mais poderosas de resiliência.


Actualização de Acção

Junho 2026 | XR Beni

Uma foto de crianças e adolescentes sentados ou de pé atrás de uma mesabaixa. Vários seguram cartazes. Um deles lê algo em vozalta.

Imagem: XR Beni

A Coligação NTSP insta a RDC e o Uganda a rejeitarem a expansão da exploração petrolífera

Os Beni Rebels e a Aliança da Bacia do Congo, parte da coligação Notre Terre Sans Pétrole (NTSP), uniram forças com as organizações parceiras da Stop EACOP para enviar uma carta aberta, assinada por 65 organizações, ao Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, e ao Presidente do Uganda, Yoweri Museveni. A carta manifesta preocupação com as negociações para expandir a exploração petrolífera na região do Albertine Graben e do Lago Albert, no oeste do Uganda, e alerta para o risco de as infra-estruturas existentes, como a EACOP, se tornarem uma porta de entrada para a expansão das operações petrolíferas para o interior da República Democrática do Congo.

A carta surge na sequência da visita de Tshisekedi a Kampala, em Maio de 2026, onde propôs o desenvolvimento conjunto do reservatório partilhado de Albertine Graben e o encaminhamento do crude da RDC através do oleoduto existente no Uganda.

A preocupação das comunidades e dos activistas por detrás desta carta é sobre o futuro de um dos ecossistemas com maior biodiversidade do mundo. A Bacia do Congo e a região do Lago Albert albergam florestas tropicais insubstituíveis, bem como fontes de água doce e inúmeras espécies e comunidades cuja sobrevivência depende da preservação destas terras. Avançar com um projecto como este leva esta região frágil a um ponto de não retorno.

Lê a carta | Assina a carta

Para saberes mais sobre as acções da XR Rebel em todo o mundo, @extinctionrebellion


Notícias Positivas

'Um mundo igualitário e habitável é possível': académicos apresentam visão abrangente para a sobrevivência do planeta | The Guardian

Um novo Relatório sobre a Justiça Global do Laboratório Mundial da Desigualdade (WIL, na sigla em inglês) oferece uma visão optimista para o futuro, defendendo que é possível criar um mundo onde tanto as pessoas como o planeta prosperem. Em vez de apresentar a acção climática e o desenvolvimento económico como prioridades concorrentes, o relatório demonstra que ambos podem caminhar juntos. Segundo o relatório, os padrões de vida globais poderão melhorar significativamente, mantendo o aquecimento global abaixo dos 2°C. Os investigadores sugerem que, com uma cooperação internacional ambiciosa, sistemas energéticos mais limpos, políticas económicas mais justas e padrões de consumo mais sustentáveis, quase todos poderiam usufruir de uma melhor qualidade de vida até ao final do século.

A visão inclui também a redução da desigualdade extrema, garantindo que a riqueza e as oportunidades são partilhadas de forma mais justa entre os países e as comunidades. O relatório destaca o potencial para jornadas de trabalho mais curtas, maiores investimentos na saúde e na educação e maior igualdade de género, criando sociedades mais saudáveis, resilientes e inclusivas. É importante realçar que os investigadores realçam que os recursos e a tecnologia necessários para atingir estes objectivos já existem. O que mais se torna necessário é vontade política e colaboração global. Numa altura em que as discussões sobre as alterações climáticas podem parecer complexas e avassaladoras, o relatório traz uma mensagem de esperança, lembrando que um futuro sustentável, equitativo e próspero ainda está ao nosso alcance, desde que os governos, as empresas e os cidadãos se comprometam com acções ousadas e coordenadas.

2025 Imagine Contest Collection - Grist

Imagine 2200: Ficção Climática para Futuros Ancestrais é uma iniciativa de ficção climática da Grist. Embora a Grist seja uma organização de media independente e sem fins lucrativos, dedicada à cobertura climática, construiu este projecto com base numa crença simples: os factos por si só nem sempre têm impacto nas pessoas da mesma forma que as histórias.

A colectânea reúne vozes de todo o mundo, sobretudo de comunidades mais afectadas pelas alterações climáticas. O que mais se destaca é a diversidade. Doze histórias abrangem diversos géneros, geografias e registos emocionais, fazendo da colectânea um panorama colorido que vai do folclore à culinária, da família, da ecologia, da migração e da memória. Todos os autores partiram da mesma premissa: "imaginem um futuro habitável", e cada um chegou a uma conclusão completamente própria. Num mundo onde os media gerados por inteligência artificial ganham destaque e a originalidade fica em segundo plano, Imagine 2200 é a prova de que ainda temos muita imaginação dentro de nós. Leia a colectânea completa.


Leitura Obrigatória

Os maiores bancos do mundo prometeram 906 mil milhões de dólares às empresas de combustíveis fósseis num aumento "incompreensível" em 2025, revela um relatório

Enquanto o mundo corre contra o tempo para enfrentar a crise climática, o mais recente relatório "Banking on Climate Chaos" revela que os 65 maiores bancos do mundo investiram a impressionante quantia de 906 mil milhões de dólares em empresas de combustíveis fósseis em 2025, um aumento de 8% em relação ao ano anterior. À medida que os Governos e as empresas se comprometem com metas de emissões líquidas zero, os ambientalistas argumentam que o investimento contínuo em carvão, petróleo e gás prejudica os esforços globais contra as alterações climáticas. O relatório é um lembrete oportuno de que o fluxo de dinheiro importa e que os bancos têm um papel fundamental a desempenhar na aceleração da transição para as energias renováveis e uma economia de baixo carbono. Lê mais aqui.

Oposição e apatia - compreender as verdadeiras ameaças ao Net Zero - PersuasionUK

Em 2019, o governo de Theresa May formalizou uma estratégia para alcançar o equilíbrio nas emissões de gases com efeito de estufa do Reino Unido, com o objectivo de atingir o "Net Zero" até 2050. O caminho para esta meta é a descarbonização em massa da economia britânica, através da substituição dos combustíveis fósseis por fontes de energia mais sustentáveis e da absorção das emissões remanescentes através de sumidouros e captura de carbono.

Apesar de mais de 100 países terem seguido o exemplo com as suas próprias promessas de emissões líquidas zero, o Partido Conservador e o Reform UK estão agora a pressionar abertamente para o abandono da política. No entanto, o sentimento anti emissões Net Zero expresso pelas elites políticas de direita não parece reflectir a opinião pública, como constata esta recente investigação do IPPR. Pelo contrário, a maioria dos cidadãos Britânicos é favorável à missão de Net Zero. Os meios de comunicação social de direita distorcem ainda mais a narrativa e, em 2025, verificou-se que era 160% mais negativa em relação à necessidade e viabilidade das emissões líquidas zero do que a opinião pública.

A polarização entre políticos é problemática e reduz as alterações climáticas a uma questão partidária, enquanto os eleitores podem não ver necessariamente o aquecimento global como parte da dicotomia esquerda/direita tão predominante na actual política partidária divisiva do Reino Unido. A opinião dos eleitores de extrema-direita corre o risco de ser influenciada pela lealdade a um partido escolhido e de passar a partilhar a sua posição antagónica em relação ao Net Zero. Os partidos de esquerda podem ser enganados pela negatividade que domina as notícias e os debates no parlamento e, por conseguinte, diluir as suas políticas sobre as alterações climáticas em resposta a esta reacção ilusória. Tais consequências representam múltiplos perigos para o ímpeto da preocupação pública com as alterações climáticas num momento crucial.


Acção Sugerida para este Mês

Mais uma vez, gostaríamos de sugerir algo simples que podes fazer para começares a envolver-te com o activismo, caso algemar-te a aviões e coisas do género não seja bem a tua onda. A sugestão deste mês começa com mudanças no estilo de vida, sabes, aquelas que nos disseram que resolveriam todos os problemas ambientais se cada um fizesse a sua parte (como se a acção corporativa e a inacção governamental não tivessem nada a ver com esses problemas). Mas não se fica por aqui.

Senta-te, analisa a tua vida e pensa em que mudanças poderão reduzir a tua pegada de carbono. Talvez se utilizasses os transportes públicos para ir para o trabalho em vez de conduzir, consumisses produtos locais ou utilizasses energia solar para todas as tuas necessidades de electricidade, poderias viver de forma mais sustentável?

Provavelmente, descobrirás que pelo menos algumas destas mudanças são impossíveis.

Não pode usar transportes públicos porque não há na sua região. Não pode comer alimentos cultivados localmente porque não existem ou porque são muito caros. A energia solar não é uma opção. E assim sucessivamente.

Parabéns! Encontras-te algo em que podes trabalhar!

Onde quer que encontres uma barreira estrutural que impeça uma vida sustentável, aí está um ponto de partida para começares a trabalhar na remoção dessas barreiras, tanto para ti como para os outros. Não te preocupes se, no início, não souberes o que fazer. Começa onde estás, com o que sabes, e segue a partir daí. Aprende sobre a sua situação. Pergunta "porquê?" com frequência. Encontra outras pessoas na tua região que estejam a trabalhar na mesma questão ou em questões relacionadas e colabora com elas. Sê flexível, o teu objectivo pode mudar à medida que aprendes mais, e isso é normal. O importante é começar.


Vê: The Welcome Table

Josh Fox, conhecido pelo premiado documentário “Gasland”, acaba de lançar um novo documentário chamado The Welcome Table. Filmado em parte num dique em Nova Orleães, este filme de duas horas percorre o mundo contando as histórias de um grupo de pessoas que foram deslocadas pela crise climática. Entrelaçadas com as comoventes narrativas de como cada uma perdeu a sua casa, encontram-se excertos musicais e dados sobre o impacto da crise climática na migração e nos refugiados. Por exemplo, a Convenção da ONU de 1951 sobre os Refugiados define os critérios para o estatuto de refugiado, mas a crise climática não é um deles. Perder uma casa e uma comunidade devido a um incêndio florestal, inundação, deslizamento de terra ou seca não qualifica uma pessoa para o estatuto de refugiado. Fox deixa claro, tal como as ondas de calor do mês passado, que os impactos da crise climática serão sentidos por todos, independentemente do local do mundo onde se encontram. Estamos todos no mesmo barco.

O poderoso documentário da HBO sobre o clima que todos precisam de ver | Trailer oficial de The Welcome Table


Antepassados da XR: Ken Saro-Wiwa (1941-1995)

Uma foto a preto e branco de Ken Saro-Wiwa.

O escritor nigeriano Ken Saro-Wiwa foi um ativista ambiental e de direitos humanos, nascido em Ogoniland (atual estado de Rivers), no delta do Níger, em 1941. Foi executado pelo regime militar do general Sani Abacha em 1995, juntamente com outros oito ativistas, e o seu nome tornou-se sinónimo da luta pela justiça ambiental, direitos humanos e responsabilidade corporativa.

O escritor nigeriano Ken Saro-Wiwa foi um activista ambiental e de direitos humanos, nascido em Ogoniland (actual estado de Rivers), no delta do Níger, em 1941. Foi executado pelo regime militar do general Sani Abacha em 1995, juntamente com outros oito activistas, e o seu nome tornou-se sinónimo da luta pela justiça ambiental, direitos humanos e responsabilidade corporativa.

Na década de 1990, abandonou a sátira para se dedicar ao ativismo pelos direitos humanos e pelo ambiente, liderando o Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni (MOSOP). O MOSOP fez campanha de forma não violenta contra as actividades das grandes multinacionais (particularmente a Royal Dutch/Shell), exigindo mais autonomia política e uma participação justa nas receitas petrolíferas para a população local. Os protestos incluíram marchas pacíficas que reuniram até 300 mil pessoas do povo Ogoni, o que chamou a atenção internacional para as violações dos direitos humanos no Delta do Níger. A ditadura militar da Nigéria respondeu brutalmente, reprimindo os manifestantes (embora as companhias petrolíferas tenham negado qualquer envolvimento).

Em 1994, Saro-Wiwa e outros oito activistas foram presos por homicídio e condenados por um tribunal militar secreto, apesar das provas da sua inocência e de que as acusações tinham motivações políticas. Foram sentenciados à morte num julgamento amplamente criticado por grupos internacionais de defesa dos direitos humanos. Os homens foram enforcados em 1995 em Port Harcourt, provocando uma onda de indignação mundial pelo que foi amplamente considerado um "assassinato judicial". O presidente da África do Sul, Nelson Mandela, exigiu a suspensão da Nigéria da Commonwealth, que durou mais de três anos.

A execução de Ken Saro-Wiwa tornou-se um símbolo da luta global contra a injustiça e a repressão ambiental, expondo como os danos ecológicos são frequentemente suportados de forma desproporcional pelas comunidades marginalizadas e como a protecção ambiental está profundamente interligada com os direitos humanos, a democracia, a equidade e a responsabilidade corporativa. Trinta anos depois, em 2025, o Presidente Bola Tinubu concedeu postumamente indulto aos "Nove de Ogoni" no âmbito das comemorações anuais do Dia da Democracia na Nigéria, mas, como um indulto implica culpa, muitos consideram que não resolve completamente a injustiça histórica cometida contra Ken Saro-Wiwa e os restantes membros do grupo.


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Sobre a Rebellion

Extinction Rebellion é um movimento descentralizado, internacional e politicamente não-partidário que usa a ação direta não-violenta e a desobediência civil para persuadir os governos a agir de forma justa em relação à Emergência Climática e Ecológica. O nosso movimento é feito de pessoas de todos os sectores da sociedade, contribuindo de formas diferentes com o tempo e a energia que podem dedicar. Temos um ramo local muito perto de ti, e adoravamos ter notícias tuas. Participa …or considera fazer uma doação.