
Foto: XR Venezuela
Cara Rebelde,
Encaramos o novo ano como uma linha de partida, um momento para direccionar os nossos futuros para onde devem ir. Mas o primeiro mês de 2026 pareceu menos uma estrada aberta e mais uma pista de corridas a levar-nos de volta ao ponto de partida. As acções dos Estados Unidos na Venezuela, embora ilegítimas e agressivas, demonstram também uma nação a repetir a sua história de extrativismo e militarismo. Enquanto isso, outros países experimentam uma sensação semelhante de déjà vu. Na Escócia, os investimentos realizados na esperança de aumentar a riqueza individual estão, na realidade, a diminuir as hipóteses de os nossos ecossistemas prosperarem. Na Argentina, as empresas mineiras procuram lucros crescentes à custa do recuo dos glaciares. Já vimos todas estas narrativas de ganância antes. Está na hora de mudar de direção.
Para sustentar a acção climática, precisamos de ultrapassar o entusiasmo passageiro que o novo ano traz. Precisamos de nos lembrar dos padrões de destruição que permanecerão fortes a menos que os combatamos a cada passo. Precisamos de nos lembrar que os caminhos percorridos rumo à saúde social e ambiental variam consoante a comunidade, mas que o nosso destino é o mesmo. Precisamos de esquecer a nossa tendência para lutar com os nossos aliados e focarmo-nos, em vez disso, na solidariedade e na comunidade. Não importa como são as nossas jornadas individuais rumo a um futuro regenerativo, seja cultivando alimentos saudáveis, travando batalhas legais ou marchando nas ruas, precisamos de começar agora, e o nosso ritmo precisa de ser constante e firme. Se te estás a perguntar por onde começar, continua a ler. Há muito espaço para que possa caminhar ao nosso lado.
Este boletim informativo é oferecido pela XR Global Support, uma rede mundial de rebeldes que ajudam o nosso movimento a crescer e precisam de dinheiro para continuar este trabalho crucial.
COMPROMETE-TE COM A MUDANÇA EM 2026
Acções em Destaque

Foto: XR Venezuela
Venezuela - Declaração da XR
Em resposta ao recente ataque dos Estados Unidos à Venezuela, a XR América Latina elaborou uma declaração oficial da sua posição, disponível aqui. A carta começa por afirmar: "Enquanto movimento socioambiental, não podemos permanecer em silêncio perante as ações ilegítimas e violentas dos Estados Unidos em território latino-americano". A expansão militarista da dependência dos EUA em relação aos combustíveis fósseis, promovida pela administração Trump através da pilhagem de petróleo e recursos da América Latina, mais recentemente da Venezuela, evidencia que os EUA "se tornaram a principal ameaça não só para a América Latina, mas para a humanidade como um todo, representando um perigo directo para a natureza, a biodiversidade e o próprio planeta". A carta da XR América Latina conclui com um poderoso apelo à acção, instando os movimentos socioambientais a adaptarem as suas estratégias face à ascensão de lideranças capitalistas violentas, fascistas e autoritárias. Os rebeldes da XR devem resistir a esta consolidação violenta da dependência dos combustíveis fósseis e continuar a lutar por um futuro saudável e seguro para o nosso planeta. Declaração Oficial sobre a Venezuela
Resumo de acção
XRScotland - Fundo de Pensões Strathclyde

Imagem da XR Scotland
Os Rebeldes Escoceses juntaram-se a grupos ambientais e sindicais em frente ao local do 50º aniversário do Fundo de Pensões de Strathclyde, em Glasgow, para expressar a sua indignação e profunda preocupação com a forma como as pensões dos trabalhadores estão a ser investidas. Realizando um protesto de “aniversário infeliz”, destacaram as ligações do fundo a indústrias relacionadas com armamento e exigiram o fim dos investimentos em algumas das maiores poluidoras do mundo (Shell, TotalEnergies e Eni, entre outras), que estão a impulsionar as alterações climáticas e a contribuir para o sofrimento das pessoas em Gaza. Os manifestantes apelaram à compaixão e à responsabilização, instando o fundo a desinvestir em indústrias destrutivas e a redireccionar o dinheiro para investimentos que respeitem a vida humana e ajudem a construir um futuro mais justo para todos. O Fundo de Pensões de Strathclyde investe mais de 400 milhões de libras em empresas de combustíveis fósseis. Lê a análise completa aqui.
Argentina - Lei dos Glaciares

Imagem: XR Argentina
Embora a Argentina tenha sido o primeiro país a implementar protecções legais para os glaciares e periglaciares, o Presidente Javier Milei propôs recentemente ao Congresso alterações que permitiriam a mineração, a exploração de combustíveis fósseis e as actividades industriais em áreas glaciares e periglaciais. Nos dias 4 e 22 de Dezembro, a XR Argentina realizou acções em frente ao Congresso Argentino em protesto contra as emendas propostas. A protecção destas áreas glaciares é crucial para a preservação do ecossistema aquático mais precioso da Argentina. Sabe mais sobre as acções aqui.
Notícias Positivas
Alasca testa uma teoria: as explorações solares ajudam ao crescimento das plantações locais.
O Alasca pode parecer um lugar improvável para projectos inovadores de energia solar, mas tanto a comida como a energia são muito caras por lá, e as reservas de gás natural do estado estão a esgotar-se. Por isso, a inovação é fundamental e os painéis solares bifaciais podem ser parte da solução. Os investigadores da área emergente da agrivoltaica estão a estudar se a mesma terra pode ser utilizada para produzir alimentos e energia. O seu campo de testes é a maior quinta solar do Alasca, que gera energia para 1400 casas. Seria possível cultivar alimentos entre os painéis solares, criando uma quinta combinada de alimentos e energia?
Aparentemente, sim. Em primeiro lugar, estes painéis solares bifacetados captam a luz solar refletida pela neve no inverno, direcionando-a para a parte de trás. Isto pode representar 30% da energia produzida em algumas estações. Quanto às plantas, o excesso de luz solar seria prejudicial. E, com o Ártico a aquecer quatro vezes mais depressa do que o resto do planeta, os investigadores observaram que as plantas crescem mais se tiverem alguma sombra. Os painéis solares não só oferecem protecção contra o stress solar, como também retêm calor, o que pode prolongar a estação de crescimento. Embora ainda não seja claro se o governo federal continuará a financiar o projecto durante os três anos originalmente planeados, os cientistas estão entusiasmados com os resultados obtidos, mesmo com dados recolhidos em apenas uma estação.
Leituras obrigatórias
Austrália vai oferecer três horas de energia solar gratuita por dia a milhões de pessoas
A Austrália anunciou uma nova iniciativa federal de energia chamada "Solar Sharer", que fornecerá às casas pelo menos três horas diárias de eletricidade gratuita gerada por energia solar durante as horas de pico de insolação. Esta iniciativa será implementada a partir de meados de 2026 nos estados de Nova Gales do Sul, Austrália do Sul e Sudeste de Queensland. O programa é liderado pelo Ministro da Energia, Chris Bowen, e pretende ajudar os consumidores a reduzir as suas facturas de energia. É importante salientar que a energia gratuita só estará disponível para casas com contadores inteligentes, pelo que as famílias que não possuem painéis solares nos telhados são incentivadas a solicitar um contador inteligente, alargando o acesso aos benefícios do boom da energia solar na Austrália. Além disso, o governo espera que o programa redireccione a procura geral de electricidade dos horários de ponta nocturnos, mais dispendiosos, reduzindo a pressão sobre a rede e diminuindo potencialmente os custos para todos os utilizadores. Sabe mais aqui.
Visualização Rápida
Lost
As Red Rebels são um grupo de protesto de arte performativa que surgiu de uma filial britânica da Extinction Rebellion e que está agora a expandir-se internacionalmente. Neste vídeo, a sua abordagem única e impactante de protesto marca o Dia Mundial da Perda da Biodiversidade, em luto pelas espécies perdidas no nosso mundo cada vez mais pequeno. Vestidas de vermelho-sangue, com os rostos pintados, expressões solenes e braços erguidos, o seu cortejo fúnebre pelas ruas de Gante exige a atenção dos transeuntes. Através desta cor, simbolismo e movimento, a sua performance evoca uma resposta emotiva à tragédia da perda de biodiversidade e uma reflexão mais profunda sobre que espécies ameaçadas ainda restam.
A luta contra as alterações climáticas sempre foi complexa e multifacetada, e a magnitude da ambição de sensibilizar as pessoas para a destruição do nosso planeta, mesmo quando não querem ouvir, exige constantemente novas perspectivas. Através da sua abordagem teatral da acção de protesto, as Red Rebels retratam visualmente a noção abstracta de perda, que é, por natureza, invisível e intangível. O grupo capta os impactos das alterações climáticas, que são prejudiciais não só num sentido científico e socioeconómico, mas também num sentido psicológico. Qualquer espectador pode sentir a raiva, a tristeza e o luto perante a crise climática.
Crítica Literária

Winners Take All: The Elite Charade of Changing the World
Em 2020, Jeff Bezos lançou o Bezos Earth Fund, prometendo 10 mil milhões de dólares para "combater as alterações climáticas e proteger a natureza", enquanto a Amazon, empresa que fundou e da qual ainda detém 8%, tem vindo a destruir o planeta e a impulsionar as alterações climáticas desde 1994. Isto não é uma anomalia, é a regra, como explica o jornalista e autor Anand Giridharadas no seu livro, *Winners Take All: The Elite Charade of Changing the World.*
Embora Winners Take All tenha sido escrito em 2018, a tese continua tão urgente como sempre: as pessoas no poder organizam tudo, incluindo as suas ações filantrópicas, para garantir que se mantêm no poder. Giridharadas explica que a maioria das organizações filantrópicas do mundo se baseiam nos princípios delineados pelo magnata Andrew Carnegie em 1889, no seu ensaio "O Evangelho da Riqueza", ou seja, que os ricos têm a obrigação de "retribuir" à sociedade. No entanto, Carnegie ignorou o facto de que foi a exploração capitalista dos industriais que empurrou as pessoas para a pobreza.
A atual geração de multimilionários da tecnologia criou uma nova "era dourada" em que a disparidade entre os mais ricos e os mais pobres nunca foi tão grande. E a sua suposta generosidade é apenas mais uma forma de garantir que o mundo não muda.
Evita a Amazon. Apoia as livrarias locais pessoalmente, sempre que possível. Compra os teus livros online na Bookshop ou na Hive(Reino Unido).
Comunicado da ONU
O Relatório Global sobre o Ambiente (GEO, na sigla em inglês) é o principal relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente sobre o estado do Planeta, publicado aproximadamente de seis em seis anos para orientar a acção global em relação ao ambiente. A sétima edição, GEO 7, lançada em dezembro de 2025, foi elaborada por 287 especialistas de mais de 80 países e apresenta um alerta muito claro: as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, a poluição e a degradação dos solos estão a acelerar, e os nossos atuais modelos de desenvolvimento estão a conduzir o mundo para o colapso ecológico.
O relatório apresenta ainda medidas e práticas urgentes que poderão proteger os ecossistemas e construir um futuro mais justo e sustentável. No entanto, segundo a BBC, o GEO-7 foi divulgado sem o seu habitual "Summary for Policymakers", depois de governos como os dos EUA, da Rússia e da Arábia Saudita não terem chegado a acordo sobre a ciência e as recomendações (como o apelo à rápida eliminação dos combustíveis fósseis e a cortes drásticos nos subsídios prejudiciais). Este impasse burocrático poderá enfraquecer a mensagem urgente do relatório, deixando alheios à crise em curso aqueles que detêm o poder de agir. Entretanto, as comunidades e os ecossistemas de todo o mundo continuam a sofrer, lembrando-nos que a inacção tem custos humanos e ambientais reais. Lê o relatório completo do GEO-7 aqui
Segunda Vista de Olhos

Como falar com um céptico das alterações climáticas
Já sentiste a frustração de lidar com um negacionista declarado das alterações climáticas? Como falar com um céptico das alterações climáticas oferece um guia rápido para consultar da próxima vez que se deparar com uma destas interações difíceis. Embora a compaixão possa não ser a primeira emoção que lhe vem à cabeça, a autora Nikki sugere reagir com compaixão em vez de julgamento. Pode ser difícil para o cidadão comum compreender a gravidade da crise climática que enfrentamos, quando o mundo parece permanecer tão perturbadoramente calmo. Os nossos governos evitam palavras como "emergência" e "crise", preferindo enquadrar as alterações climáticas como um "debate". A comunicação social cria a impressão de que as alterações climáticas são ainda um problema distante, para as gerações futuras. Por enquanto, é simplesmente mais fácil negar que todos vivemos numa casa em chamas.
Esta ignorância intencional por parte dos líderes mundiais é um grande obstáculo ao reconhecimento generalizado da crise climática, agravada pelas águas turvas da desinformação na era da internet, onde se dá voz a autoproclamados profissionais e a verificação legítima dos factos é muitas vezes negligenciada. Interpretar as alterações climáticas através dos políticos e dos meios de comunicação social é, muitas vezes, um exercício de cortina de fumo, embora as publicações científicas comprovem consistentemente, com uma clareza assustadora, a anormalidade do aumento da temperatura global e das taxas de extinção. Este post do blogue da XR oferece respostas claras e cientificamente fundamentadas para mitos comuns que as pessoas podem utilizar para se protegerem da verdade perturbadora sobre o estado do nosso planeta.
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